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Governo de Sergipe Impulsiona Agrofloresta como Eixo de Desenvolvimento Agrícola Sustentável

23/03/2026 • Política de Sergipe

O Governo de Sergipe, por meio de suas instituições de fomento e pesquisa, vem consolidando a agrofloresta como um pilar estratégico para o desenvolvimento da produção agrícola sustentável no estado, com impactos diretos na segurança alimentar e na geração de renda para o campo. Esta abordagem inovadora, que integra cultivos diversos e sistemas regenerativos, tem sido impulsionada pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), transformando propriedades rurais em modelos de eficiência e resiliência ambiental.

Contexto e Fomento Governamental

A iniciativa governamental de suporte à agrofloresta alinha-se às políticas públicas de desenvolvimento agrário e ambiental do estado. Em 2021, um projeto pioneiro de agroecologia foi iniciado pelo produtor Luiz Henrique Cunha Andrade no Agreste sergipano, em uma área de 27 mil m² no povoado Figueiras, em Moita Bonita. Este projeto, focado na produção de alimentos livres de agrotóxicos, plantio de mogno e transição para o cultivo de café sob o sistema de agrofloresta, exemplifica a prática regenerativa que combina resiliência agrícola e viabilidade econômica. O sítio de Andrade tem sido reconhecido pelo Governo de Sergipe como um “laboratório vivo”, beneficiando-se do suporte técnico contínuo da Emdagro.

Inovação e Impacto no Agreste Sergipano

A Experiência Pioneira do Sítio de Moita Bonita

De acordo com Waltenys Braga Silva, coordenador do escritório local da Emdagro, o empreendimento rural de Luiz Henrique avança rumo à sustentabilidade financeira, priorizando a produção de café e frutas, além da estruturação de uma estação multiuso para beneficiamento de produtos, turismo rural e capacitações. Este modelo, que incorpora o manejo de Plantas Alimentares Não Convencionais (PANC) e a superação de desafios técnicos com a orientação da Emdagro, projeta-se como uma nova referência alimentar para Sergipe. O sistema de agrofloresta, conforme explica Silva, integra espécies anuais (hortaliças, tubérculos para renda imediata), frutíferas e madeiras de lei (mogno, craibeira) no mesmo espaço, utilizando plantas adubadeiras e nativas para enriquecer o solo naturalmente, eliminando a necessidade de agrotóxicos.

Nos últimos cinco anos, o projeto de Andrade evoluiu de uma horta familiar para uma unidade de referência em agroecologia, fruto de capacitação técnica na Emdagro e da capitalização de erros iniciais como aprendizado. O produtor destaca a recuperação do solo através da adubação verde (ex: gliricídia) e a gestão hídrica eficiente, empregando plantas como bananeiras e técnicas de poda para manter a umidade em áreas semiáridas. Sua propriedade, atualmente, atrai interesse acadêmico e técnico, consolidando-se como um polo de inovação. A capacidade de subsistência em longas estiagens, demonstrada por 60 dias sem irrigação devido ao desenho inteligente do plantio, comprova a eficácia da agrofloresta. Além do consumo próprio, o excedente é comercializado, e há um esforço para resgatar sementes crioulas, como oito variedades de feijão, preservando a biodiversidade regional.

Tecnologia e Expansão para o Futuro

Potencial de Replicabilidade e Autonomia do Produtor

O engenheiro agrônomo Lucas Travassos, coordenador do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias (CDT) da Emdagro, aponta que a agrofloresta possui um significativo potencial de expansão a longo prazo em Sergipe. Embora o modo de produção seja mais lento comparado a culturas em série, devido ao crescimento das variedades e árvores de desenvolvimento prolongado, as tecnologias desenvolvidas no CDT já apresentam resultados concretos, com 25 propriedades no estado adotando modelos sustentáveis.

O CDT tem sido crucial na difusão de inovações de baixo custo. Técnicas como a vermicompostagem e a gongocompostagem (uso de gongolos para criar substrato) são métodos pioneiros em Sergipe. Em seus Sistemas Agroflorestais (SAFs) experimentais, o CDT cultiva cacau com sombreamento alternativo e amora italiana, integrando espécies nativas e adubos verdes como gliricídia e moringa. O objetivo central da Emdagro é capacitar o agricultor para alcançar autonomia, garantir segurança alimentar, gerar renda a partir de mercados de nicho e promover a preservação ambiental pela ciclagem de nutrientes. Travassos reforça que a Emdagro fornece a base científica e tecnológica essencial para que a agrofloresta seja replicável e sustentável, focando na emancipação do produtor como o maior benefício da agroecologia.

Conforme apurado por Política de Sergipe, a articulação entre pesquisa, fomento e a iniciativa privada demonstra o compromisso estadual com uma matriz agrícola mais robusta e consciente. Iniciativas como o projeto em Moita Bonita não apenas validam a eficácia da agrofloresta, mas também pavimentam o caminho para a disseminação de práticas que garantem o futuro do setor primário sergipano. Acompanhe mais análises e informações sobre as políticas públicas de Sergipe em Política de Sergipe, seu portal de referência para a cobertura jornalística séria e responsável no cenário político e econômico estadual.

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